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domingo, 1 de abril de 2012

Marcos Guterman: Roger Waters é antissemita?


Estadão (01/04/2012): Marcos Guterman: Roger Waters é antissemita?: Roger Waters, o polêmico ex-integrante do Pink Floyd que está no Brasil com seu show The Wall, costuma ser bastante crítico a Israel. Em apresentação recente em São Paulo, no fantástico show The Dark Side of The Moon, ele tocou uma música, “Leaving Beirut”, em que esculhamba Israel, os EUA et caterva. A canção é ruim e não faz jus à obra de Waters, mas isso é irrelevante. O ativismo altermundista do ex-Floyd é só uma coisa chata a que fãs incondicionais, como eu, nos deixamos submeter em respeito ao ídolo. É equivalente ao vegetarianismo radical de Paul McCartney – não dá para deixar de amar o ex-Beatle só porque ele faz campanha a favor do alface e contra a picanha. Ademais, Waters não deixa de ter razão em certos aspectos – a ocupação israelense de terras palestinas é uma mancha na trajetória do país e tem de ser criticada, embora ele o faça sem citar o terrorismo palestino. Como o astro britânico não é um cientista político, ele não é obrigado a ser coerente ou ponderado; trata-se apenas de um voluntarioso artista cuja obra se notabilizou por atacar os muros e a opressão, muitas vezes de modo tolo. >>> Leia mais, clique aqui.


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quarta-feira, 28 de março de 2012

João Pereira Coutinho: Os antissemitas

FSP (26/03/2012): João Pereira Coutinho: Os antissemitas: A polícia francesa abateu Mohamed Merah, autor do massacre de sete pessoas em França. Sabemos pelos jornais que este jovem "extremista" (adoro eufemismos) não morreu descansado: ele gostaria de ter morto mais crianças judias. Atenção ao adjetivo: "judias". As três que ele assassinou em Toulouse não foram suficientes. A Europa está horrorizada com o caso. E eu, horrorizado com a Europa, apenas pergunto: mas que caso? O do regresso do antissemitismo assassino ao continente, dessa vez servido por fanáticos islamitas? Não vale a pena tanto espanto. E, para os interessados, aconselho leitura a respeito: o livro de Gabriel Schoenfeld, "The Return of Anti-Semitism" (Encounter Books, 193 págs.), publicado em 2004. O terceiro capítulo da obra, sobre o regresso da besta antissemita à Europa depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial, vale o livro inteiro. Sim, a extrema-direita tem tido um papel relevante no assunto, sobretudo em países como a Rússia ou a Ucrânia. Mas em países ocidentais como o Reino Unido, a Alemanha ou a França, são os jihadistas caseiros que levam vantagem. >>> Leia mais, clique aqui.


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sexta-feira, 23 de março de 2012

Marcos Guterman: As crianças palestinas estão vingadas?

Estadão (21/03/2012): Marcos Guterman: As crianças palestinas estão vingadas?

A polícia francesa parece já saber quem é o assassino que matou três crianças judias numa escola de Toulouse. Segundo as informações divulgadas, trata-se de um cidadão francês de origem argelina, que se diz integrante da Al Qaeda e que teria cometido o crime para “vingar” crianças palestinas mortas por Israel. Só na cabeça de dementes pode haver equivalência moral entre a morte de crianças palestinas em meio a combates em Gaza e a morte de crianças judias que estão indo para a escola na França, muito longe de qualquer front.

Mas a questão vai além da simples demência. Se todas as informações se confirmarem, pode-se dizer que esse homem não agiu movido exclusivamente por sua suposta loucura. Ele agiu animado pela certeza moral que embebe o discurso dos radicais árabes e islâmicos segundo o qual tudo é permitido, até matar crianças a sangue frio, quando se trata de enfrentar o “Mal” – encarnado no Ocidente e em uma de suas expressões mais significativas, que é Israel.

Segundo testemunhas, uma das meninas mortas pelo assassino de Toulouse tentou correr para se salvar, mas ele a agarrou pelos cabelos e atirou em sua cabeça. Essa menina, de apenas oito anos, foi despida de sua qualidade humana; tornou-se uma espécie de alvo inanimado, um objeto que traduzia todo o ódio do assassino pelo que o Ocidente representa – o Iluminismo, a modernidade, o capitalismo, o ceticismo, o questionamento dos dogmas religiosos, a irreverência, ou seja, tudo o que desafia o mundo ideal romântico dos que rejeitam como “demoníacos” a democracia e o progresso.

Quando qualquer criança, em qualquer parte do mundo, pode ser assassinada apenas por que é judia, o problema não diz respeito apenas aos judeus, mas a toda a humanidade.


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